
A celebração da Paixão de Cristo, realizada pela Igreja Católica, até o ano de 2005, no Dique do Tororó, com o apoio da Prefeitura de Salvador, poderá voltar a ocorrer no local no próximo ano. O retorno da encenação foi solicitado pelo prefeito João Henrique, que visitou, na tarde desta quinta-feira (15), o cardeal e arcebispo Primaz do Brasil, dom Geraldo Majella. Durante a reunião, João Henrique destacou a qualidade e a importância do evento para a cidade, assegurando o apoio necessário para o retorno do espetáculo. O cardeal foi muito receptivo com o pedido e agradeceu ao prefeito pela visita, na sede da Cúria, no Garcia. João Henrique comprometeu-se a dar apoio ao evento religioso, de forma que o seu retorno ao Dique possa acontecer já no próximo ano. "A Prefeitura sempre esteve presente nos grandes momentos da Igreja Católica e nós queremos estreitar essas relações", ressaltou. Também foi tratado, durante a reunião, a elaboração por parte da Prefeitura de Salvador de um calendário turístico religioso, reunindo os principais eventos da Igreja Católica, dentre os quais, além da Paixão de Cristo, o dia de Corpus Christi, a Caminhada Penitencial (no terceiro domingo da Quaresma), que ocorre na cidade há 28 anos e reúne 150 mil pessoas, e a Procissão de Ramos, realizada no domingo que antecede a Semana Santa, celebrando a chegada de Jesus Cristo a Jerusalém. Dom Majella lembrou que a primeira solenidade referente ao Corpus Christi ocorreu em Salvador em 13 de junho de 1549, consistindo na primeira manifestação pública religiosa em todo o país. A cerimônia, segundo ele, também marcou a data de fundação da Câmera de Vereadores da cidade, motivo pelo qual a manifestação conta com a participação dos vereadores e tem um cunho cultural mais amplo que o religioso. "É importante que o evento seja incluído no calendário da Prefeitura de Salvador para que se possa dar maior visibilidade e engrandecer a cerimônia, pois a data é da cidade", afirmou o religioso. O espetáculo da Paixão de Cristo, encenado durante a Semana Santa, cuja montagem recebeu o nome "O Salvador em Salvador" reunia aproximadamente 170 pessoas, entre atores e figurantes, em três palcos flutuantes montados nas águas do Dique do Tororó. Quinze cenas que formavam o espetáculo cultural e religioso contavam a chegada de Cristo a Jerusalém até o momento de sua ressurreição e eram ilustradas por efeitos especiais e sonoros, MPB, fogos de artifícios e muitas luzes na tentativa de dar mais emoção aos momentos finais da história de Jerusalém.