
Parafraseando o grande jurista Ruy Barbosa, acima de tudo, um dos mais respeitáveis legisladores desde sua época: A Câmara de Vereadores do Salvador é uma grande casa política, que não merece mais abrigar políticos medíocres e de pequena estirpe.
A Câmara de Salvador vem sendo comparada, pelos próprios Edis, a uma secretaria da prefeitura. Discordo. Para mim são três: um grupo de vereadores serve como secretaria da prefeitura, o segundo como secretaria do governo do estado, o terceiro como secretaria do empresariado baiano.
É deplorável a atitude da Câmara, nos mais recentes episódios, veiculado na mídia local: Engoliu mosca com o metrô da Paralela. Está fora da definição do processo relativo à copa de 2014. Vereadores pedindo ajuda ao Prefeito para ter audiência com o Governador...
Pra sobreviver no poder, a serviço de si, falaciosos na UTI da política na cidade do Salvador, buscam, antes do último suspiro de uma derrota no sufrágio em 2012, convencer-nos que eles não precisam de eutanásia. Dos quarenta e um vereadores de Salvador: Uns já morreram prematuramente: perderam o rebolado. Outros agonizam, nos corredores das estatais, na esperança que não se desliguem os aparelhos do governo. Alguns, já em risco de morte, seguem em coma, a espera de doador financeiro. Sem esquecer aqueles que convalescem pela sorte ou azar, apostando suas fichas e fazendo uma fezinha na ignorância popular. E os desenganados, ainda contam com o milagre do deus das urnas.
Sem dúvida os vereadores foram eleitos pelo desejo das urnas, mas sob uma representatividade no mínimo questionável. Sabemos dos artifícios eleitoreiros que são usados para alcançar tal intento: compra de voto, oferecimento de emprego, carradas de asfalto, balcões que fornecem requisições para exame médico, apelo midiático, corrupção ideológica, distribuição de remédios, brinquedos para crianças pobres, inculcação religiosa, arregimentação de desempregados, para servir a contravenção. Isso tudo reflete a baixa capacidade legislativa e a falta de compromisso com as coisas da cidade.
Não me sinto contemplado por essa representatividade, não sou obrigado. Até porque, se considerarmos a soma dos votos daqueles que ocupa uma cadeira de vereadores não chega a cinqüenta mil votos, o que representa menos de 1,5% da população de Salvador. Tenho certeza que milhões de eleitores, assim com eu, não se sentem representados
Por tudo isso faço valer a minha contribuição critica a essa qualidade de representação. Com certeza não é em nome da população que os vereadores estão legislando. Pergunto: quando vamos nos valer do nosso poder nas urnas para, de fato, elegermos dignos representantes na Câmara de Salvador, que trate o poder legislativo com soberania e independência originária?
Ruy Barbosa, um homem que sempre se mostrou está além do seu tempo, no seu discurso dirigido “Aos Professores e Estudantes da Bahia”, pronunciado na Faculdade de Medicina da Bahia no dia 14 de abril de 1919, se faz contemporâneo; ao reivindicar uma maior consciência da população quanto à qualidade política de representatividade dos nossos legisladores. E semeia em nossas consciências a indagação por ora pertinente: Será que devemos, a luz de tamanha mediocridade, reconduzir esses vereadores ao cargo?
Nell Gonçalves